quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Tão perto de nós!... a Natureza ao vivo e a História!

Desta vez, foi aqui, bem pertinho de nós, no concelho vizinho de Santiago do Cacém,  que a História e a Natureza se uniram de mãos dadas para nos proporcionarem um agradável dia cheio de surpresas.
Foi na passada terça-feira, dia 24 de fevereiro, que os alunos das turmas do 5º ano de escolaridade tiveram o seu grande dia, o dia da visita de estudo que iniciou com uma viagem ao tempo dos Romanos na antiga cidade romana de Miróbriga e terminou com um safari africano no parque da Badoca.
 
termas romanas de Miróbriga

Colunas do templo romano





Animais em plena liberdade

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

A revolução Republicana

Proponho-vos assistirem a um pequeno vídeo subordinado ao tema "A Revolução Republicana", que temos vindo a estudar. Ele apresenta-nos os acontecimentos dos dias 4 e 5 de outubro de 1910, mas também nos fala sobre as causas / antecedentes da revolução e sobre a organização política da República, as suas principais preocupações e realizações e, ainda, sobre as grandes  dificuldades enfrentadas pelo novo regime. Assistam ao vídeo com muita atenção!
 
 
 
 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Os primórdios do cinema

Irmãos Lumière
 
O cinema surgiu há 120 anos atrás na cidade de Lyon em França, quando dois irmãos de apelido Lumière puseram a funcionar um aparelho por eles desenvolvido, o cinematógrafo (aparelho que funcionava ao mesmo tempo como máquina de filmar e projetor de cinema). Os irmãos Lumière eram filhos de um industrial que possuía uma fábrica de películas fotográficas, por isso, puderam, desde cedo, contactar com este tipo de materiais e desenvolver as primeiras experiências cinematográficas. A fábrica Lumiére constituiu o cenário do primeiro filme de cinema em 1895. Os filmes realizados por estes dois irmãos eram pequenas curtas metragens de alguns minutos que retratavam cenas da vida quotidiana: a saída dos operários da fábrica; a alimentação do bebé; a chegada do comboio à estação... Hoje, estes filmes dos irmãos Lumière  são documentos preciosos  para o estudo da História dos finais do século XIX.
O vídeo que partilho convosco é uma compilação dos primeiros filmes dos irmãos Lumiéres. Divirtam-se!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Tráfego urbano - Um problema com mais de 100 anos

Embora vivamos numa pacata vila do litoral alentejano, conhecemos a realidade dos grandes meios urbanos e sabemos como o tráfego automóvel constitui hoje um problema para todos os que diariamente se deslocam, não só das periferias para os grandes centros urbanos, como também para os que se deslocam no interior das cidades.
É verdade que o intenso tráfego automóvel nas grandes cidades é uma realidade das últimas décadas. Temos  dificuldade em imaginar as ruas das nossas vilas e cidades sem automóveis e sem autocarros. Isto leva-nos a uma interrogação: e como seriam as cidades de há 100 ou 120 anos atrás? Venham, então fazer connosco uma viagem à cidade de Londres nos inícios do século XX (1903) e conhecer as suas movimentadas ruas.
Para aqueles que conseguirem ter paciência para ver o pequeno filme do princípio até ao fim, lançamos um desafio: contar o número de automóveis. Para confirmar a resposta, terão que estar atentos às próximas notícias no blogue. Boa visualização e olhos bem abertos!
 
B
 

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

O primeiro automóvel em Portugal

 

 
 
Há 120 anos atrás, um ilustre aristocrata português,  D. Jorge de Avillez, residente na vila de Santiago do Cacém, recebeu, na alfândega da cidade de Lisboa uma  encomenda muito especial, um automóvel Panhard Levassor, um veículo com motor capaz de circular a 20 quilómetros por hora. Era uma coisa inacreditável, um veículo sem cavalos, capaz de mover-se sozinho, coisa nunca vista em Portugal!!! Imagine-se a curiosidade e o pasmo das gentes de Lisboa ao ver desembarcar tão estranho veículo.
Na alfândega foi necessário registar e taxar o veículo, o que constituiu um verdadeiro problema, já que nenhum dos diligentes funcionários  daquele posto de controle de mercadorias o era capaz de classificar. Como fazer? Classificá-lo como uma máquina agrícola ou como um locomobile, um veículo movido a vapor? A segunda hipótese levantada foi aquela que  fez mais sentido e o primeiro automóvel existente em Portugal, um veículo a motor de combustão, foi registado como um veículo a vapor.
D. Jorge Avillez e o seu grande amigo, José Benedito Hidalgo de Vilhena,  naquele longínquo dia 11 de outubro de 1895, ansiavam por fazer a travessia do Tejo para que, chegando à margem sul do rio, pudessem dar início à longa viagem que tinham pela frente até Santiago do Cacém, 150 quilómetros a 15 quilómetros à hora, era uma jornada interminável.
Com a ajuda preciosa de um mecânico, foi possível pôr o veículo a funcionar e, para pasmo do curiosos que assistiram a tal manobra, os três homens iniciaram a viagem da margem sul do Tejo até Santiago do Cacém.
  
 
  Ao entrar na vila de Palmela, um aparatoso acidente quase estragou aquela primeira viagem de automóvel, pois um burro teimoso, habituado à pacatez das velhas estradas e caminhos de terra batida, não conseguiu escapar-se a tempo às rodas do veículo automóvel  e levou uma tal pancada que o deixou atordoado e sem vida à beira da estrada. Por sinal, o dono do automóvel era um senhor conde, rico e endinheirado, pelo que o problema do atropelamento do burro não foi difícil de resolver.  D. Jorge de Avillez, assumindo a culpa do acidente, abriu a carteira e entregou ao dono do burro dezoito mil réis, dinheiro que, na altura, era suficiente para pagar três burros. Resolvido o problema, sem intervenção de autoridades, pois tal necessidade não se fazia ainda sentir em Portugal,  os três homens puderam realizar,  em paz e sem mais acidentes de percurso, a viagem até Santiago do Cacém.
  
O primeiro automóvel português é hoje um objeto de museu e encontra-se em exposição ao público no Museu da Alfândega da cidade do Porto.
 
Foto em cima. arquivo MTC/Luís Ferreira Alves
 
O automóvel que poderás observar no vídeo é um protótipo (um modelo idêntico) ao veículo mencionado no texto que acabaste de ler.
 
 
 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Consegues dizer o teu nome completo num só folgo?


Parece-te uma pergunta estranha? Talvez seja, porque, certamente o teu nome completo não terá mais do que cinco ou seis nomes, por isso facilmente o podes dizer de uma assentada.
Pois fica sabendo que há 100 ou 150 anos atrás, as raparigas e rapazes da alta nobreza tinham nomes tão compridos, que era uma verdadeira proeza conseguir dizê-los de uma assentada, ou escrevê-los sem ficar com uma verdadeira dor de braço!
Vou-te, então apresentar uma  menina chamada
D. Maria da Glória Joana Carlota Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de Paula Isidora Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança.
 
Sabes de quem se trata? Ora adivinha...
 
 
Conseguiste ler o nome por baixo da fotografia? Pois trata-se, de uma menina de que já ouviste falar, a pequena princesa real D. Maria da Glória, filha do príncipe D. Pedro IV de Portugal (Pedro I do Brasil) e da rainha D. Leopoldina e neta do rei de Portugal D. João VI.
D. Maria da Glória, nascida no Brasil,  viajou muito nova para a Europa (Inglaterra e França), com o propósito de "aprender" a ser uma "verdadeira rainha", já que foi escolhida por seu pai em 1826, para ser a herdeira do trono de Portugal.
D. Maria da Glória foi rainha de Portugal entre 1834 e 1853 e ficou conhecida na História de Portugal como D. Maria II, a Educadora. Foi uma grande rainha e uma mãe extremada, tendo dado à luz onze filhos. Morreu de parto ao dar à luz o seu último filho.
 
 
 

 Se as raparigas tinham nomes compridos, nem sei o que dizer sobre o nome dos rapazes!... Ora vamos lá a conhecer o nome completo dos dois irmãos desavindos D. Pedro e D. Miguel...
 

Sua Alteza Real, D. Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon.
 
 
 Sua Alteza, D. Miguel Maria do Patrocínio João Carlos Francisco de Assis Xavier de Paula Pedro de Alcântara António Rafael Gabriel Joaquim José Gonzaga Evaristo.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

1 de dezembro de 1640

Apesar de não ser dia feriado, estamos aqui para lembrar um aniversário importante da nossa História, o aniversário da Restauração da independência de Portugal face ao domínio espanhol. Hoje, na aulas de História e Geografia de Portugal das turmas do 6º ano, evocámos os 374 anos da independência, com a audição do Hino da Restauração e com a distribuição de bandeirinhas. Foi um momento muito curto, mas importante, que esperamos fique guardado na memória!
 
 


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Aprender História de forma divertida!

O programa televisivo "Conta-me História" transmitido em episódios pela RTP 1  durante o ano 2013 tinha  como objetivo dar a conhecer ao país a sua História de uma forma leve e divertida. Proponho-vos que assistam a um dos episódios desse programa, narrado  pelo apresentador  Luís Filipe Borges e pelo historiador Fernando Casqueira e que tem como título "Transferência da Corte para o Brasil".
Através da visualização deste espisódio do programa "Conta-me uma História" podereis ficar a conhecer melhor o período das  Invasões Francesas e da saída da Corte para o Brasil, conteúdo programático que temos vindo a estudar nas aulas de História e Geografia. Acompanhando o episódio narrado, podereis viajar no tempo e no espaço, conhecendo a época histórica narrada, o espaço geográfico em que tiveram lugar os acontecimentos e, porque não, também alguns dos "segredos mais bem guardados" (fofocas, diriam os nossos amigos brasileiros), dos nossos antepassados, narrados ou representados com muito humor.
 

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Carlos Seixas, um compositor português do século XVIII

 
Carlos Seixas foi um grande compositor, cravista e organista do século XVIII. Aos 16 anos, deixou a sua terra natal, Coimbra, e partiu para junto da corte em Lisboa para trabalhar como músico. Para além de grande compositor, Carlos Seixas foi  organista da Sé Patriarcal de Lisboa e da Capela do Palácio Real. Vamos ouvir um dos seus concertos  para harpa e cravo. Boa audição!
 
 

D. João V, o Magnânimo

D. João V, o célebre rei dos quintos, foi, como pudemos verificar nas nossas aulas de História e Geografia de Portugal, um rei muito rico, altivo e poderoso. Governou Portugal entre 1706 e 1750, num longo reinado marcado pelo absolutismo régio. O rei absoluto tinha nas suas mãos todos os poderes: o poder de fazer as leis (poder legislativo), o poder de governar (poder executivo) e o poder de fazer a justiça (poder judicial). Ele era, de facto um grande senhor!!! Vamos conhecê-lo melhor!
 
 
 
 

Imagens de escravidão

A escravidão foi uma prática desumana que, de acordo com as leis vigentes nos diversos reinos e nações onde fora instituída,  perdurou na História da Humanidade até há pouco mais de um século. Portugal aboliu a escravatura em todos os seus domínios territoriais (metrópole e colónias) em 1869. O Brasil que já era um reino independente de Portugal na segunda metade do século XIX, só aboliu esta prática em 1888, quase 20 anos depois de ter sido abolida em Portugal.
Nas nossas aulas de História e Geografia de Portugal abordámos a escravatura no âmbito do tema "Portugal no século XVIII" e percebemos que o cultivo da cana-de-açúcar nos engenhos do Brasil e a exploração do ouro, as grandes fontes de riqueza do reino, só foram possíveis graças ao trabalho dos escravos que eram transportados da costa africana para o Brasil.
As fotografias que  aparecem na montagem que seguidamente vos apresento, na sua grande maioria remontam à segunda metade do séculos XIX, (mais de cem anos depois), no entanto, revelam a mesma realidade, a dureza da vida dos escravos, a desumanidade com que eram tratados, os mesmos rostos de tristeza e resignação. E, porque as imagens valem mais do que palavras, aqui vos deixo esta pequena montagem fotográfica, feita por um nosso amigo brasileiro.
 
 

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Mais um ano de viagem!...

Mais um ano, mais uma viagem
pela História e Geografia
Sejam nossos tripulantes,
fiquem em nossa companhia!
 
 
Pedimos desculpa aos nossos visitantes mais frequentes por este tão grande interregno na publicação de mensagens. Os finais dos anos letivos, assim como o início dos seguintes são sempre  períodos de grande azáfama e trabalho acrescido. Tentaremos a partir deste momento estar mais presentes, divulgando a História e Geografia de Portugal.
 
Para os alunos que verdadeiramente se entusiasmaram com a aventura dos descobrimentos portugueses, divulgamos o vídeo "Galeões, caravelas e naus, um choque tecnológico no século XVI".
 
Não receiem a linguagem utilizada e escutem com muita atenção as opiniões e considerações dos historiadores e especialistas convidados. Este vídeo ajuda-nos a reconhecer e valorizar os feitos dos nossos antepassados e a aumentar o orgulho de sermos portugueses.
Boa visualização e boa viagem ao longo dos séculos XV e XVI!
 
 
 


sexta-feira, 28 de março de 2014

Vamos celebrar o 25 de abril de 1974 - 40 anos depois

      Celebramos este ano o 40º aniversário da revolução de abril. As instituições, os canais televisivos, o mundo do espetáculo, as autarquias e as escolas estão-se a mexer para, daqui a um mês, lembrarem este acontecimento que mudou e transformou este país que hoje somos.
 
       A nossa escola e os nosso clube de História irá também preparar um pequeno apontamento para celebrar este dia e este acontecimento. As propostas e as ideias começam a concretizar-se...
       Mas, será que sabemos verdadeiramente o que aconteceu na História de Portugal há 40 anos atrás? O que conhecemos sobre abril? Antes de comemorar é preciso conhecer. É isso que pretendemos com esta e com as futuras mensagens que iremos partilhar. Para já, partilhamos convosco um pequeno e maravilhoso trabalho realizado por alunos da escola D. Fernando II que está disponível no Youtube e  que, numa linguagem simples e atrativa nos dá a conhecer os acontecimentos de abril.  Boa visualização!
 
 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

A Revolução republicana

Para complementar a informação relativa ao tema "A Revolução Republicana -  textos, imagens e vídeo  publicados  no mês de abril de 2012, deixo-vos aqui mais dois pequenos vídeos curtinhos que poderão visualizar.
 
 
 

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Os alimentos também tem História -3 - Os legumes que atravesssaram o Atlântico



   A batata não foi o único vegetal a ter o privilégio de atravessar o Atlântico nas caravelas e naus  dos séculos XV e XVI. Para além deste, também outros vegetais e legumes fizeram esta travessia e chegaram à Europa no século XVI. Estamos a falar concretamente de vegetais ou legumes como o milho, o tomate, o pimento e a beringela, os quais eram alimentos cultivados e consumidos pelos índios que habitavam as regiões da América  Central e do Sul.
   Tal como aconteceu com a batata, também alguns destes legumes não foram imediatamente adotados pelos Europeus no século XVI. Desconfiados e medrosos, os Europeus não os aceitaram de imediato como alimento e cultivaram-nos nos jardins, onde cresciam como plantas exóticas e ornamentais. O tomate, por exemplo, foi durante muito tempo considerado um alimento venenoso, pois assemelhava-se à mandrágora, uma planta bastante venenosa.
  Só a partir do século XIX é que estes legumes começaram a ser cultivados para o consumo humano, tornando mais rica e variada a alimentação das gentes do Velho Mundo.
 
"Velho Mundo" - Europa


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Livros!... Objetos preciosos!



Os livros são objetos que fazem parte da nossa vida. Acompanham-nos à escola, moram nas prateleiras das estantes das nossas casas e das nossas bibliotecas,  guardam nas suas páginas histórias, ideias, fórmulas, ensinamentos, sonhos, esperanças... Quantas vezes nos divertem e nos acompanham nas noites de insónia!... E, quantas vezes nos maçam, quando a vontade de estudar não chega ou quando o sono nos quebra!...
 
 
Desde quando farão os livros parte das nossas vidas? Qual será a História do Livro? Já alguma vez se interrogaram sobre  isto?  De onde vem o livro? Quem o inventou?
Se sentem curiosidade, vamos a isso, acompanhem-nos nesta história!...
 
 
Há mais de 4 mil anos, no Antigo Egito, os escribas escreviam sobre folhas de papiro, um material obtido a partir do caule da planta com o mesmo nome. O papiro era enrolado em rolos e apenas podia ser escrito numa das faces. Para escrever e desenhar sobre as folhas de papiro, os escribas utilizavam um estilete e uma tinta que obtinham misturando carvão vegetal, água e goma.

Alguns séculos mais tarde (século IV d. C.), o papiro como base de escrita foi substituído pelo pergaminho, um material mais duro e resistente, obtido a partir da pele de alguns animais como a ovelha, a cabra ou a vitela e que permitia a escrita em ambos os lados das folhas.  Com o surgimento deste novo material, desapareceram os rolos ou volumen (palavra latina) e surgiram os livros encadernados ou Códices (Códex).
 
 
Rolo ou volumen enrolado em volta dos umbilicus (varetas cilíndricas)

 
Livro ou Códice (Códex em latim)
 
Durante a Idade Média os livros eram objetos muito valiosos e raros, uma vez que eram copiados à mão e, por isso, objetos únicos (não existiam dois livros exatamente iguais). Os livros eram objetos pesados com rígidas capas de madeira forradas a couro, por vezes protegidas com fechaduras. Durante a Idade Média, os livros eram escritos e copiados nas bibliotecas dos mosteiros pelos monges copistas.
 
Monge copista (iluminura)

Embora inventado pelos chineses no segundo século da nossa era, só por volta do século XIII é que o papel chegou à Península Ibérica, trazido pelos árabes. Este material, produzido a partir de fibras vegetais como o algodão, o linho (ou até mesmo feito a partir de trapos velhos) era menos resistente que o pergaminho, mas tinha a vantagem de ser mais barato, mais fácil de fabricar, mais prático e mais leve.



Por volta de meados do século XV, os livros que até então eram escritos à mão, passaram a ser impressos, graças à descoberta da imprensa móvel, feita pelo alemão Johannes Gutenberg. Este inventor lembrou-se de criar uma técnica que permitisse carimbar o papel com um texto ou desenho feito a partir  moldes. Os moldes eram montados numa espécie de tabuleiros  onde as letras metálicas eram organizadas de acordo com o texto que se queria imprimir e impregnadas de tinta.
A descoberta foi extraordinária, na medida em que permitiu a produção de livros em série, tornando-os mais baratos e acessíveis.

 
letras móveis que eram montados em tabuleiros metálicos formando o texto a ser impresso

Do século XV até hoje, o livro evoluiu e chegou a todos os continentes e lugares mais remotos da terra, tornando-se no mais importante instrumento e veículo de cultura, de ensino e de lazer.

 
 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

E para aguçar o apetite... que tal uma pizza?

 
OS ALIMENTOS TAMBÉM HISTÓRIA - 2
 
"Feijoada" ou "pizza"? "Pizza" ou "Jaquinzinhos com molho de tomate"?
É difícil tomar uma decisão? Não me parece! Qual é o jovem que não se perde por uma fatia de pizza bem recheada com queijo, fiambre e cogumelos?
Bem, só o jovem que acabou de comer uma pizza inteirinha recheada com queijo, fiambre e cogumelos, seguida de uma boa sobremesa!...
 
"Pizzas" são modernices, dizem os nossos avós, modernices que vem lá da América do Norte, das terras do "fast food", modernices cheias de gordura e calorias que encantam os jovens e contribuem para o aumento da obesidade!...
Eles lá tem a sua razão, temos que reconhecer! A verdade é que a pizza é um alimento  muito calórico e carregado de gorduras, mas, será que a sua pátria, a sua terra de origem é mesmo a América do Norte?
 
A pizza  é um "prato" ou uma especialidade gastronómica muito antiga. Há mais de 5000 anos, os antigos egípcios e os hebreus moldavam discos de massa feita com farinha, amido e água e assavam-nos em cima de pedras ou tijolos quentes ou coziam-nos em fornos rústicos. Estes pães com a forma de disco eram muitas vezes recheados com pedacinhos de carne, cebola ou legumes e dobrados em forma de sanduiche tal como a atual pizza calzone e tinham o nome de pisceas.
Na Idade Média, no tempo das Cruzadas, os cavaleiros europeus enviados para a Terra Santa conheceram estas "pisceas" e trouxeram-nas para a península Itálica. As piesceas deram origem às pizzas  que, recheadas com novos ingredientes como o queijo, toucinho ou peixe frito e temperadas com azeite e ervas aromáticas, se tornaram o alimento dos mais pobres no sul da Itália, o alimento que matava a fome. 
 

No século XVI, trazido pelos exploradores do Novo Mundo (continente americano), chegou o tomate à Europa. O tomate de polpa vermelha e sumarenta imediatamente  encantou os europeus, principalmente os da região mediterrânica e passou a ser um ingrediente fundamental da sua culinária. Os napolitanos do sul da Itália, já então especialistas na arte de rechear a pizza acrescentaram ao queijo o tomate  temperado com um fio de azeite  e tornaram-na irresistível...
 

Em 1889, há mais de 100 anos, surgiram na cidade de Nápoles, no sul da Itália as primeiras pizzarias. A mais famosa foi a de um senhor chamado Rafaelle Esposito, que um dia confecionou uma pizza para uma princesa em visita à sua cidade.  Essa princesa era Margherita de Savoia esposa do rei Umberto I,  uma mulher nobre que nunca comera um alimento de pobre. Rafelle Esposito confecionou uma  pizza à qual deu o nome de Margherita  com as cores do reino de Saboia (o branco do queijo mozzarella, o verde do manjericão e o vermelho do tomate). Então não é, que a tal princesa Marguerita  gostou mesmo da iguaria? Parece que comeu,  comeu, comeu e, não ficando ainda satisfeita, pediu a caixinha com os restos de pizza para levar para casa, que é como quem diz, para o seu palácio real! *
 Ainda hoje, em todas as pizzarias do mundo é possível encontrar a pizza Margherita a relembrar esta velha história.

* Desculpem a ousadia, mas esta última frase é inventada, pois não existem registos escritos ou documentos históricos que o provem.

E para terminar, vai uma fatia de pizza?
 


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

A viagem da batata!


Os alimentos também têm História!...
 
 
Hoje de manhã, ouvi a notícia de que a dieta mediterrânica foi classificada como  património imaterial da Humanidade pela Unesco. Como portugueses, devemos estar orgulhosos do facto de o nosso país pertencer a um conjunto de países que preservam este tipo de alimentação baseada na ingestão de alimentos saudáveis como o azeite, o pão, o peixe e o vinho.
 
O tema "alimentação" geralmente abordado na disciplina de Ciências Naturais, também pode ser abordado numa perspetiva histórica, uma vez que ela é e sempre foi essencial à vida do Homem na Terra, responsável por transformações e mudanças na organização social, causa de conflitos, guerras e conquistas...
Hoje vou começar por vos falar de um alimento que não é originariamente europeu e como tal, pouco mencionado quando se fala da dieta mediterrânica: a batata. Ela faz parte da nossa alimentação diária, sendo consumida e confecionada das mais variadas e diferentes formas. No entanto, nem sempre foi assim. Os nossos antepassados europeus que viveram há mais de 300 anos, não conheciam a batata. Ela é uma planta originária de um país chamado Perú que fica localizado na América do Sul. Foi trazida para a Europa no século XVI pelos navegadores e descobridores espanhóis que exploraram essa região.
No século XVII, a batata era cultivada na Europa, mas servia apenas de alimento para o gado. Só no século XVIII, em períodos em que a fome apertou é que os seres humanos ousaram experimentar tal alimento. E não é que ficaram a gostar?
Antes da introdução da batata, o alimento energético mais comum era o pão (de trigo, de centeio ou milho). No norte de Portugal consumia-se a castanha, razão pela qual os camponeses do norte, quando começaram a introduzir a batata na sua alimentação diária, a apelidaram  de "castanha das Índias" (isto, por causa da tal confusão de Cristóvão Colombo, o descobridor da América que, em 1482,  ao desembarcar nas Antilhas, julgou ter descoberto a Índia).
 



quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Teriam pernas de pau e caras de mau?


 
A Pirataria sempre foi um tema que suscitou muita curiosidade entre os mais novos.
Serão os piratas apenas figuras e personagens que alimentam o imaginário das crianças e jovens, ou terão mesmo existido?
A verdade é que a pirataria foi mesmo uma realidade e a História, principalmente a dos séculos XVI, XVII e XVIII está repleta de histórias de pirataria.
 
Hoje vou contar-vos uma verdadeira história de piratas, uma história da grande História! Ora prestem atenção!
 
"Esta história passou-se numa pequena vila de pescadores da costa alentejana cujo nome era Vila Nova de Milfontes. Estávamos no ano de 1590, coisa, menos coisa. Vila Nova de Milfontes era ainda uma terra pequenina. Era um dia santo e, como tal, dia em que toda a população acorria à pequena igreja local para assistir à missa. Nesse dia, como era hábito acontecer nos dias santos, os pescadores não saíram para o mar e os homens da lavoura pousaram  as suas alfaias. No forte, os soldados dormitavam, jamais imaginando que uma armada de galés de piratas pudesse surgir na barra...
Quando à saída da igreja, homens e mulheres se aperceberam do que estava a acontecer, era tarde de mais. Murata Rais, o famoso corsário mouro entrara na barra com as suas galés e ordenara aos seus homens que descessem os botes e atacassem a vila.
Os piratas eram às centenas e estavam bem armados. Entraram em todas as casas da vila para roubar os pobres e parcos haveres das pessoas. Depois, zangados com a pobreza do saque, deitaram fogo às casas e, passando pelas cercas e pequenas hortas, queimaram as culturas, principalmente as vinhas e os trigais que eram o sustento da população naquele tempo.
Por toda a vila se ouviam gritos, clamores e choros. A população corria para onde podia, tentando esconder-se nos canaviais que rodeavam as cercas e nas dunas, mas os piratas eram muitos e corriam, corriam, corriam...
Ao partir, a armada de Murata Rais levava consigo muitos habitantes cativos. O que iria ser daquela gente? Teriam outro destino a não ser a escravatura?
Os velhos que ficaram para trás, olhavam o horizonte para lá da barra e choravam pelos filhos que viam partir e que, certamente não voltariam a ver!... "Malditos piratas, o que iremos fazer agora da nossa vida", diziam...
 
Fonte: António Martins Quaresma, in "Apontamento Histórico sobre Vila Nova de Milfontes", (2ª edição), 1988